Olaria contemporânea em grês. de Joaquim Pimentão; Figurado de Barcelos
Peças do quotidiano – um bule, um jarro, uma jarra, uma tigela, uma taça, um prato – peças com função. Modeladas, decoradas e cozidas por obra de Joaquim Pimentão, em cada uma delas ressaltam as marcas de beleza e busca de beleza – na forma, na textura, na cor. São peças com presença: impõem um espaço, que nos permita o repouso da contemplação, e obrigam a um tempo, que nos permita o repouso da contemplação, e obrigam a um tempo, que nos proporcione a concentração da utilização. São cada uma delas peças únicas.
Trabalho do oleiro. Dar forma e cor à matéria, submetê-la ao fogo…a técnica do artesão demiúrgico, a habilidade, a marca da mão, o gesto, o espelho da alma e do mundo.
Na tensão tranquila que as habita, as peças encontram um equilíbrio simples em que se confundem contemporaneidade e ancestralidade. Masculino e feminino envolvem-se. Um bule, uma jarra…evocações sem escrita.
Há qualquer coisa de especial na modelagem de argila em rotação. Nesse gesto, ao mesmo tempo simples e complexo. O oleiro contemporâneo, herdeiro de uma tradição primordial, procura uma expressão evocativa de experiências subjectivas, indissociáveis da experiência poética da matéria e do cosmos. O fogo fixa e transmite esplendor a este delicado equilíbrio entre as formas da argila e a combinação das diferentes matérias usadas no fabrico dos esmaltes.
O encanto e a beleza simples destes objectos utilitários nasce da cooperação entre a mão e a personalidade do artista.
Esta unidade entre a concepção e a execução origina formas ligadas à vitalidade e sensualidade das origens da actividade humana.
O elemento terrestre e mineral, que lhes serve de ponto de partida, dá-lhes um sabor agrário e telúrico.
O grés resulta de uma técnica apurada de cozedura a altas temperaturas. A pureza das linhas e da decoração alia-se à beleza dos esmaltes, que privilegiam a monocromia e as suas subtis variações. Objectos dirigidos não só ao olhar como ao tacto.
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