O cântaro de Barcelos
O Cântaro de Barcelos é uma exposição que surge justificada pela importância de que se revestiu sempre esta peça cerâmica na cultura minhota e com preponderante incidência em Barcelos. A intensa relação que a paisagem minhota tem com a água e actividade cerâmica, levaram a que se desenvolvesse nesta região uma peça tão característica como é o cântaro.
O Museu de Olaria, possuindo uma colecção de cântaros significativa, pretende na sua abertura ao público, chamar a atenção para uma peça comum, ligada ao quotidiano das pessoas até há bem pouco tempo e simultaneamente tão rica em termos antropológicos, sociais ou culturais.
Com esta exposição procuramos evidenciar os aspectos ligados à produção, circulação, aquisição e utilização do cântaro, em termos objectivos, assim como no que diz respeito à carga simbólica a eles associada. Optamos, por incluir nesta exposição, para além dos cântaros de louça vermelha fosca, os de louça preta de Parada de Gatim e S. Mamede de escariz, freguesias do concelho de Vila Verde, pelo facto de que, durante muito tempo, as freguesias que produziam cerâmica constituírem um único e grande centro de fabrico – o antigo concelho de Prado – de onde receberam a designação de "louça de Prado". A contiguidade das freguesias produtoras de olaria, fez com que durante muito tempo as louças de Barcelos fossem designadas de vulgarmente por "louças de Prado", pois todas as freguesias do actual concelho de Barcelos que produzem ou produziam cerâmica, tinham pertencido ao concelho de Prado até meados do século XIV. Mais tarde, como refere Eugénio Lapa Carneiro a "distinção no mercado entre as louças que provinham de Barcelos, Braga e Vila Verde ter-se-ia operado lentamente, verificando-se agora a tendência para serem todas absorvidas na denominação de louças de Barcelos"..
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