Um barrista de cada vez: a família Baraça
Fernano Gonçalves Pereira, mais conhecido por Fernando Baraça, nasceu a 15 de Janeiro de 1943, em Galegos Santa Maria, Barcelos. Dos seus pais, Manuel Pereira e Ana Lopes Gonçalves herdou o barro. Tanto o pai como a mãe também nasceram no barro. O pai era oleiro e rodista. A mãe dedicou-se ao figurado. Por isso, o filho Fernando seguiu os passos dos pais, dando continuidade a uma tradição que já vinha de outras gerações.
A história do nome "Baraça" pertence ao seu pai que, quando novo, andava com uma viola a tocar pelas freguesias. Das cordas do instrumento surgiu o nome "Baraça", nome que, mais tarde ainda, deu vida à assinatura da mãe e, mais tarde, á do filho. Ana Lopes Gonçalves, enquanto solteira, nunca assinava as suas peças. Isso só aconteceu depois de casar.
O casal Ana e Manuel criou cinco filhos, mas hoje, sóo Fernando se dedica ao trabalho do barro. Hoje faz todo o tipo de peças, desde aquelas que aprendeu com a mãe, ás outras de sua autoria. Da mãe herdou as peças ligadas à agricultura e pecuária: os carros de bois, os trabalhos do campo, os camponeses, os arados, "tudo ligado à lavoura porque a minha mãe, como trabalhou na agricultura, teve sempre inclinação para isso".
Fernando Baraça encontrou o seu maior êxito e a sua grande paixão nos coretos e nas bandas. "Um dia a minha mãe disse-me para fazer uma peça nova. Nasceu um coreto bonito, e vendeu! Depois daquilo, foi uma explosão tão grande que eu tenho a certeza que hoje há coretos meus por todo o lado".
O mais interessante nsta história da família Baraça é que os três filhos de Fernando Baraça também quiseram seguir as pisadas dos pais, dos avós, dos bisavós...e por aí fora. O mais velho, o Carlos, com 27 anos, gosta de fazer profissões; o Victor, o do meio, tem 26 anos e muita sensibilidade para Cristos. O mais novo, o Moisés, virou-se para as peças relacionadas com a agricultura. Três personalidades diferentes que marcam o quotidiano de uma tradição feita em barro.
Uma vida de muito trabalho também é sinónimo de muitas paixões. A actual paixão de Fernando Baraça é trabalhar na roda. "Hoje o artesanato precisa da roda, há muitas peças que necessitam da roda".
O mundo do barro não é indiferente às cores. As garridas são mais comuns no pintado dos Baraça. tons laranja, rosa e vermelho, verdes, azuis e amarelos, bailam no colorido de uma feira ou exposição.
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