Figurado: uma visão do Mundo
Poderá haver algo de comum entre o figurado de Portugal, de Espanha, do Brasil, de Cabo Verde...?
Será que os contextos ecológicos e económicos não fazem assemelhar bonecreiros e a sua obra? Será antes do isolamento social do seu trabalho e da sua especialização peculiar entre trabalho manual e intelectual que poderemos encontrar as semelhanças? Ou será ainda que as semelhanças resultam antes da proximidade entre o seu trabalho e o trabalho de criação divina do mundo? Serão todas essas razões importantes?
E se o bonecreiro fosse o cientistado mundo rural? E se, por todas aquelas razões, ele tivesse como função social o descrever pelo figurar todo o mundo que o rodeava? Será que o bonecreiro, em todos os lugares do mundo, não foi o primeiro arquivista, o primeiro escriba, o primeiro enciclopedista, o primeiro cientista crítico do mundo rural?
Esta exposição propõe, assim, o bonecreiro, não apenas como um artesão ou mesmo como um artista, mas sim como um etnógrafo e mesmo como um filósofo do mundo rural em que vive.
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