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 Recuperação, Ampliação e Valorização do Museu de Olaria

O Museu de Olaria, dado o seu importante espólio, as actividades pedagógicas e de formação que dinamiza, assim como a afluência de público que o visita, necessita de ver aumentados alguns dos seus espaços. Por outro lado, por se tratar de um equipamento de projecção nacional e internacional, o Município entendeu que fazia todo o sentido requalificá-lo, ampliá-lo e valorizá-lo, para uma melhor prestação, não só expositiva como pedagógica.
O projecto da intervenção, elaborado pelo Gabinete do Centro Histórico da autarquia barcelense, destina-se, assim, às obras de “Recuperação, Ampliação e Valorização do Museu de Olaria”. O projecto tem por base um programa que procura articular melhor os espaços de formação, rentabilizando o uso dos mesmos, e articulando-os com outros espaços existentes e com os novos a criar, no decorrer da obra. De igual modo, esta intervenção pretende ainda criar novos espaços de exposição, para poder desenvolver as actividades programadas e possibilitar aos visitantes mais comodidade e interesses complementares. A obra servirá também para recuperar e valorizar alguns espaços, alterando significativamente a leitura dos mesmos, não só a nível espacial como volumétrico. No âmbito do projecto também se introduziram valências respeitantes à segurança, prevenção e detecção de incêndio, questões térmicas, e tratamentos do ar.
Edifício vai ter mais duas salas de exposição
No decorrer da empreitada de beneficiação do Museu vai ser criado um novo corpo, no actual espaço do pátio central. Este volume vai ficar desligado das paredes do edifício principal, flutuando sobre uma cobertura envidraçada que o envolve, permitindo a entrada de luz zenital em toda a sua periferia, dotando o 1º andar (antigo pátio) de boas condições de iluminação natural. Constituirá, certamente, uma valorização dos espaços de exposição, ou outras actividades programadas para o Museu.
A este nível (1º andar), far-se-á  a demolição de parte do piso da antiga capela, piso este que foi construído quando o edifício servia outros fins. Isto permitirá que o espaço regresse à imagem que já teve, ficando o pé direito duplo, valorizando-se o património e restituindo ao arco toda a sua verdadeira grandeza.
Ao nível do 2º andar vai desenvolver-se uma nova compartimentação dos espaços destinados aos gabinetes administrativos, zona de arrumos, balneário, vestiário, e instalações sanitárias para funcionários. Assim, e em continuidade com o átrio/hall de distribuição estabelece-se, por intermédio de um passadiço envidraçado, a ligação ao novo espaço construído. Trata-se de um volume novo destinado a zonas de exposição com a área de total de aproximadamente 256,0 m2, constituído por dois pisos, sendo um deles (no 3º andar) organizado em galeria. O acesso a este corpo é efectuado pelas escadas situadas no piso do antigo pátio, e por dois elevadores de apoio.
A opção formal e volumétrica adoptada para este novo volume assume uma linguagem arquitectónica que procura uma inserção pacífica e equilibrada com a envolvente urbana e paisagística (centro histórico da cidade), tão marcada pelo sucessivo jogo de planos inclinados sugeridos pelas coberturas dos edifícios existentes.
Museu vai ganhar cafetaria e loja
No rés-do-chão, continuará o serviço de recepção e informação, que ficará articulado com a cafetaria e a loja do Museu, permitindo também o acesso aos pisos superiores, por intermédio da escadaria em granito existente da antiga casa.
Estes novos espaços vão certamente trazer uma maior valia significativa para o uso dos visitantes. Ainda no rés-do-chão, em continuidade com as áreas referidas, desenvolver-se-á, na antiga capela de S. Sebastião, na ala norte, um espaço para exposições temporárias, enquanto que na ala sul ficarão instalados os espaços destinados às salas de documentação, e ainda a área administrativa, gabinete de restauro, espaço para reservas, zonas de arrumos e novas instalações sanitárias.
No 1º andar vão registar-se algumas alterações, nomeadamente a melhoria do acesso pela entrada norte (Rua Cónego Joaquim Gaiolas), com uma nova solução nos desníveis dos pavimentos e a duplicação do pé direito no átrio/ hall de entrada, bem como a criação de um acesso vertical que estabelece ligação com todos os pisos do Museu.
As escadas em caracol vão desaparecer, bem como algumas salas que estão desajustadas em termos de volume. Contudo, serão criados novos espaços para dar resposta as necessidades funcionais do museu, nomeadamente instalações sanitárias e uma zona de camarins, para apoio ao auditório existente. 
Edifício com eficiência energética
Face à crescente necessidade de se apostar em energias renováveis, o Museu de Olaria vai ser valorizado pela introdução de um sistema de painéis fotovoltaicos assentes sobre a cobertura do novo volume, permitindo tirar partido da absorção da energia solar e rentabilizá-la a seu favor, contribuindo significativamente para uma melhor gestão energética do edifício.
A cobertura do novo corpo apresenta uma expressão material e construtiva semelhante à utilizada nas paredes que compõem este novo volume, nomeadamente a aplicação do revestimento final em camarinha de cobre, que pelas suas características materiais de durabilidade, resistência e estanquidade asseguram as qualidades necessárias à edificação.
Na elaboração do projecto presidiu sempre a ideia de que a “Casa dos Mendanhas” possa retomar a sua antiga leitura, distinguindo-se o que foi a antiga ampliação e a que se propõe no actual projecto. Para isso, há que distinguir em termos de linguagem arquitectónica e materiais as três fases que no final serão, os edifícios que constituem o “Museu de Olaria”: a primeira, com a recuperação da imagem arquitectónica e da volumetria da antiga casa; a segunda a ampliação construída nos anos 80, separada da casa pelo envidraçado que será um elemento de corte. Ao nível do rés-do-chão, faceando a Rua Fernando de Magalhães, prevê-se o tapamento de alguns vãos incluindo a porta da garagem. Pretende-se assim criar uma parede neutra, contínua que faça ressaltar a obra de arte da autoria do Mestre Eduardo Nery, e deste modo, criar ainda maior atractividade ao Museu de Olaria.
A pré-existência do século XVIII adquire assim uma homogeneidade arquitectónica, quer na volumetria inicial, incluindo o corpo da antiga capela, ao longo da Rua Cónego Joaquim Gaiolas.
A introdução de caixilharias de guilhotina e de batente, com o desenho semelhante ao antigo vêm completar e salientar a qualidade arquitectónica daquela pré-existência, conferindo-lhe unidade e coerência formal.
A terceira fase, agora projectada, inclui a sala e a galeria de exposições, a construir sobre o pátio, que será um volume no qual não se procuram mimetismos, quer com a ampliação anterior quer
com a pré-existência do século XVIII. O volume a construir será todo encerrado, solto das preexistências pelos envidraçados periféricos.
Para a antiga “Casa dos Mendanhas” e muros propõe-se uma pintura exterior de cor branca, fazendo-se a leitura do granito, quer nos cunhais, quer nos socos. A caixilharia de guilhotina será pintada de cor branca sendo os aros e peitoris de cor castanha.
A parede do lado sul, sob o painel de Mestre Eduardo Nery, será revestida a granito cinzento claro, e, as grades do muro existente, serão pintadas de cor verde-escuro.
O jardim como espaço exterior, com acesso pelo Largo Fernandes Tomás, será reformulado, tendo em vista um melhor uso do mesmo, não só como espaço de entrada, mas também como espaço de estar e de espectáculos ao ar livre. Como espaço de estar prolonga-se a cafetaria para o exterior, para uma esplanada, que será revestida a deck de madeira, para além do uso de bancos de granito
existentes. O jardim será assim, com estes usos múltiplos, mais uma valência, na valorização do Museu de Olaria, na sua relação com a cidade.
 

Olaria do Norte de Portugal: um mundo feito de memórias

Este projecto visa o estudo e a divulgação da colecção em depósito no Museu de Olaria, pertencem ao Museu de Etnografia e História do Porto / Instituto dos Museus e da Conservação. desta colecção fazem parte objectos de olaria de vários centros produtores portugueses, sendo significativo o conjunto referente à região Norte. São peças recolhidas desde o final do século XIX até à primeira metade do século XX.

O grande objectivo deste projecto é o estudo de parte de uma significativa colecção de olaria portuguesa, com uma cronologia definida, e a sua divulgação através de uma exposição com uma forte componente pedagógica, e a publicação de um catálogo da colecção. Pretende-se também aceder a um público infanto-juvenil, criando, para o efeito, um caderno de exploração pedagógica.

Está, ainda, prevista, a edição de um videograma que, por um lado, registe os centros produtores ainda em laboraçao no Norte de Portugal e, por outro lado, permita a divulgação dos referidos centros produtores durante a exposição.

 

 

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